Flávio Carneiro
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A Ilha

Rio de Janeiro
Rio de Janeiro: Rocco, 2011. 206 p.
A Ilha


Um Rio de Janeiro cercado de água por todos os lados, habitado por moradores que anseiam fazer contatos com outros sobreviventes de uma catástrofe que levou todos os continentes para o fundo das águas. A cidade é agora uma pequena ilha, um pedaço do litoral carioca que teria se soltado durante a catástrofe. Nessa ilhota perdida no meio do oceano, pessoas e lugares começam de uma hora para outra a desaparecer, sem deixar vestígios. Assim é o cenário distópico de A ilha, o novo e intrigante romance de Flávio Carneiro, que fecha a Trilogia do Rio de Janeiro, iniciada com O campeonato e A confissão.
São três romances em que o Rio de Janeiro é referência para a movimentação dos personagens e que dialogam entre si e com alguns gêneros narrativos populares: o policial, no caso de O Campeonato; o fantástico, em A Confissão; e agora a ficção científica, em A ilha. Em todos eles, Flávio Carneiro faz uma homenagem à cidade, que se reinventa permanentemente e para a qual, mais do que nunca, os olhos do mundo estão voltados, e à própria literatura.
O Rio de Janeiro que surge em A ilha, no entanto, não perdeu sua cobertura natural para os edifícios. Os locais por onde passam os personagens lembram um Rio paradisíaco, da época do descobrimento, com suas florestas, rios, praias belíssimas, um mundo sem poluição, sem violência, e que de repente se depara com um novo e inusitado perigo.
O suspense é parte integrante da trama no momento em que começam a surgir nas praias misteriosas garrafas com mapas. Para onde apontam aqueles mapas é o que os moradores do que restou do Rio de Janeiro precisam descobrir. Narrado por um monge franciscano, que observa os acontecimentos na biblioteca do mosteiro e tenta identificar quem estaria por trás do envio das garrafas, A ilha se concentra em alguns personagens que buscam resolver o mistério de suas próprias existências, enquanto lutam para sobreviver.
Não faltam perguntas sem respostas no cotidiano tranquilo dos habitantes da ilha. As mães se preocupam quando os jovens insistem em nadar nas águas que podem tragá-los para o fundo, como acreditam que aconteceu com os desaparecidos; na delegacia, o encarregado das investigações policiais mostra-se atônito com o enigma das garrafas e os sucessivos desaparecimentos de pessoas que não deixam pistas ou vestígios. Com os mapas, há esperança de que o continente de onde a ilha se partiu ainda esteja lá, que não tenha sido levado pelas águas, como os outros. O que mais intriga os moradores, que planejam viajar de barco em busca do continente perdido, é por que os mapas têm sido lançados na direção de sua ilha.
Mais estranho que o desaparecimento de pessoas é o sumiço de casas, ruas, praças. De um momento para outro, a delegacia, o mercado, o cais simplesmente não estão mais nos lugares onde foram construídos. Não há sinais de desabamento, nem destroços. Aparentemente, tudo evapora, sem qualquer explicação. Só se tem certeza de uma coisa: a ilha está se movendo, provavelmente em direção ao continente de onde teria se originado.
É nesta cena pós-apocalíptica, cuja probabilidade de se tornar real, devido ao aquecimento planetário, vem sendo apontada pela comunidade científica, que se desenvolve este último clamor de vida do que seria uma cidade à beira-mar. Aos poucos, o leitor descobre quem é o povo que habita o que poderiam ser terras cariocas, que não têm apenas nomes semelhantes aos reais em comum com o Rio de Janeiro, mas, principalmente, um jeito todo especial de seus habitantes na luta pela sobrevivência diária.
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